Vistas aéreas e dados de satélite mostram, com precisão implacável, como décadas de expansão agropecuária desordenada transformaram os biomas brasileiros. As mudanças são visíveis do espaço — e seus efeitos são sentidos por todos.
Arraste o controle deslizante para comparar a cobertura vegetal original com o estado atual de cada região. Os dados são baseados em monitoramento por satélite do MapBiomas e INPE.
Cerrado denso e diversificado, com savanas arbóreas, veredas e matas de galeria. Solo fértil preservado, nascentes ativas, fauna abundante.
cobertura nativa original
Monocultura de soja em latifúndios de até 50.000 ha. Pivôs centrais bombeando água do aquífero. Solo exposto entre safras. Calor extremo local.
vegetação nativa restante
Floresta ombrófila densa intacta. Canopy de até 50m de altura. Rios cristalinos e veredas. Mais de 400 espécies de aves por km².
cobertura florestal
Pecuária extensiva ocupa 70% das áreas desmatadas. Estradas ilegais cortam a floresta. Temperatura local subiu 2,5°C. Rios assoreados.
cobertura florestal restante
Planícies alagadas com 700+ espécies de aves, 400 de peixes, 300 de mamíferos. Maior concentração de jacarés do mundo. Lagos naturais abundantes.
área ainda preservada
Incêndios históricamente recordes: 4,1 milhões de hectares queimados. Solo carbonizado. Rios e lagos evaporados. Animais em fuga ou mortos.
hectares queimados em 1 ano
Floresta densa de 1,3 milhão de km² ao longo de toda a costa brasileira. 20 mil espécies de plantas, 40% endêmicas. Solo úmido e rios caudalosos.
da cobertura original
Restam apenas 12,4% em fragmentos menores de 100 ha. Cana-de-açúcar, pastagens e urbanização dominam. Espécies não conseguem se locomover entre fragmentos.
da floresta original resta
Visualização baseada em dados do MapBiomas mostrando como a agropecuária avançou sobre a vegetação nativa no Brasil nas últimas quatro décadas.
Representação esquemática baseada em dados MapBiomas 2023. Não está em escala precisa. Fins educacionais.
O maior bioma úmido tropical do mundo enfrenta a maior crise de sua história. Entre pecuária intensiva, seca extrema e incêndios criminosos, o Pantanal perdeu mais em 5 anos do que em décadas anteriores.
"Em 2020, eu vi o rio que nunca seca virar areia. Vi jacarés amontoados morrendo de sede. Isso nunca tinha acontecido em 40 anos de Pantanal."
— Relato de pescador de Corumbá (MS), coletado pelo Instituto SOS Pantanal, 2021
O Pantanal não está sofrendo apenas por causas naturais. A pecuária intensiva nas cabeceiras do rio Paraguai e seus afluentes, no Cerrado mato-grossense, diminuiu drasticamente o fluxo de água que alimenta as planícies inundáveis. Sem essa inundação sazonal, o Pantanal perde sua capacidade de se recuperar de secas e incêndios. Os pivôs centrais que bombeiam os rios formadores do Pantanal para irrigar soja e milho no Cerrado são uma das causas diretas da seca das planícies. Não existe Pantanal saudável sem Cerrado preservado.
A próxima página mostra como o uso irresponsável de água na agricultura está secando os rios que abastecem o Pantanal e o Brasil.
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